Por André Marques
Agosto de
1990. O cenário da música andava um tanto quanto cansativo. Boas bandas de
rock, é verdade, como Guns N' Roses e Bon Jovi, Madonna perpetuando sua importância na música pop e Prince
desafiando o reinado de Michael Jackson eram as grandes atrações internacionais
da época. Outras coisas interessantes como Tears for Fears e Sinead O' Connor
também merecem destaque. Fora isso, havia uma grande mesmice entre os pseudo
astros que chegavam ao Brasil, e o público em geral engolia aberrações de todo
o tipo como o fake Milli Vanilli e o fanfarrão Vanilla Ice.
![]() |
Formaçao do Living Colour que gravou Time's Up:
da esq. para a direita, Vernon Reid , Muzz Skillings, Corey Glover e William Calhoun |
Naquele mês dos longínquos 1990, o Living Colour lançou o seu segundo álbum, Time's Up. A
banda já havia feito algum barulho com seu trabalho de estreia, o bom Vivid, de
1998, que teve ótima repercussão através dos sucessos The Glamour Boys e Cult
Of Personality. Mas em Time's Up, a banda chegou ao seu auge criativo, além de
ter dado um novo gás para a cena do rock. Nesse disco, o funk metal se juntava
ao reggae, ao blues e outras influências de respeito. E o público aderiu sem
mais delongas.
Aqui no
Brasil, o lançamento de Time's Up coincidiu com a estreia da MTV, ocorrida em
outubro daquele ano. Portanto, Type, o primeiro clipe do disco, foi
efusivamente veiculado na emissora e o impacto foi instantâneo. A começar pelo
visual da banda, que aderia a um figurino mega colorido, e o som pesado com
melodias marcantes e letras críticas com o cenário político-social da época.
Mais do que
isso, através de Time's Up o Living Colour conseguiu ajudar a quebrar alguns
estereótipos, como aquele que sempre definiu que rock não era coisa para
negros, por mais que Jimi Hendrix tivesse desmentido essa lenda nos anos 60.
A verdade é
que Time's Up é um dos álbuns mais influentes dos anos 90 pela qualidade em si
do disco, como também pelo contexto em que ele esteve inserido. Mais do que
líder de vendagens, esse trabalho representou de forma autêntica a mais
verdadeira intensidade como o rock se apresentou ao público mundial nos anos seguintes.
Confira aqui "Time's Up" na íntegra e a conclusão que se chega é que trata-se de um disco atual, independente da época.
Time's Up - Living Colour
Nenhum comentário:
Postar um comentário