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sábado, 25 de outubro de 2014

One Hits Wonders

Hoje o blog do Noventa por Hora vai relembrar uma banda conhecida entre as "One Hits Wonders". Essas bandas são as que emplacaram ou emplacam apenas um sucesso na mídia e depois "desaparecem". 

O André Marques fez um vídeo para você cantando uma música da Banda Fastball. E aí, você se lembra desse hit?



sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A onda poser do início dos anos 90

Por André Marques

Definição de banda poser: Banda em que seus integrantes ostentam cabelos volumosos e abusam das caras e bocas, não necessariamente acompanhadas de uma boa música. Uma das marcas do começo da década de 90 foi sem dúvida deixada por essas bandas.

Muito influenciado pelo que se viu nos anos 80, o público da época, sobretudo as mulheres, veneravam os rockeiros pop-stars e que se bancavam como sexy simbols. Era a receita ideal, ainda mais com uma boa dose de guitarras distorcidas.


Foi nesse cenário, que bandas como Warrant, Poison, Motley Crue, Cinderella, Skid Row, entre outras, se consagraram e fizeram seus respectivos nomes na época. Confira a relação de cinco clipes que marcam a onda poser dos anos 90.





sábado, 18 de outubro de 2014

A arte da inovação

Por André Marques


A grande marca da música nos anos 90 é certamente a difusão. Vários estilos se reuniram naquela época para transformar uma musicalidade rica em culturas e estilos. A partir de hoje, todo sábado, o Noventa por Hora trará exemplos de bandas e artistas que conseguiram criar estilos próprios e formar tendências. Pra começo de conversa, falaremos do gênio Chico Science e sua Nação Zumbi.


Genialidade e criatividade
Foi assim que o pernambucano Chico Science causou enorme impacto na música brasileiro com seu disco de estreia, lançado em 1994. Com base no maracatu, típico ritmo nordestino, Science adicionou vida à sua música com a inclusão das guitarras distorcidas e da falta de compromisso com a música comercial. O resultado foi uma porrada, no melhor sentido da palavra. Uma música pesada, mas ao mesmo tempo melódica.

Com isso, estava sendo formado um novo estilo chamado Manguebit, que trouxe à tona outras bandas da época como o Mundo Livre S/A e o Mestre Ambrósio. A cena ganhou tamanha força a ponto de mostrar ao resto do país a qualidade do rock nordestino, e com isso, muitas bandas ganharam destaque.

Infelizmente, o gênio se foi muito cedo. Em fevereiro de 1997, Chico Science faleceu em um acidente de carro, e a música perdeu uma das cabeças mais brilhantes das últimas décadas. Mas o registro da genialidade está intacto com  os álbuns “Da Lama Ao Caos”, de 1994 e “Afrociberdelia”, de 1996.










sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Uma das “girl groups” mais bem sucedidas da história

Por Ana Paula Barbosa

Em 1990, aterrissou em solo americano um grupo de mulheres que dominaram o cenário do R&B durante anos, era o TLC, grupo que trazia nas siglas as integrantes Tionne "T-Boz" Watkins, Lisa "Left Eye" Lopes e "Chilli" Rozonda Thomas. Seu primeiro sucesso foi “Ain't 2 Proud 2 Beg”, canção do álbum Ooooooohhh...On the TLC Tip de 92, título que teve mais de quatro milhões e duzentas mil cópias vendidas. Não é à toa que o TLC é mencionado na matéria do site da revista Rolling Stone “o grupo feminino de R&B mais vendido de todos os tempos”.

Usando camisetas e calças largas bem ao estilo de rappers americanos, as garotas do TLC traziam um “estilo suburbano” aos seus clipes no início da carreira, tendência vista em “What About Your Friends“, outra faixa do primeiro álbum. Ainda em 92, o trio teve a canção “Get It Up” como uma das trilhas sonoras do filme Poetic Justice estrelado por Janet Jackson.

O sucesso de TLC foi tão expressivo que já no segundo álbum o CrazySexyCool, o trio vendeu mais de dez milhões de cópias. No título estão dois dos sons mais ouvidos do grupo: "Creep" e "Waterfalls", a segunda com uma versão mais sexy das meninas que dançam sensualmente num clipe em que estão de top e calças largas sobre as águas de um rio. CrazySexyCool rendeu em 95 ao TLC o Grammy de melhor álbum de R&B. Em 2000 o feito se repetiu, dessa vez com a premiação ao álbum FanMail, gravado um ano antes e que trouxe um som que talvez por nome você não se lembre mas provavelmente já ouviu, a badalada “No Scrubs”, canção que traz um clipe em um estilo futurista . “No Scrubs” também foi premiado com o Grammy de melhor música de R&B em 2000.

 Lisa Left Eye Lopez,integrante
do TLC morta em 2002

Dois anos mais tarde a girl group lançou seu último álbum o 3D. Na época, Lisa "Left Eye" Lopes faleceu vítima de um acidente de carro o que fez o grupo findar suas atividades. Para homenagear as meninas, em 2004 a gravadora Artista Records lançou Now & Forever: The Hits, álbum que reúne os maiores sucessos gravados pelo grupo.

Em 2013, o título “CrazySexyCool” deu nome a um filme produzido pelo canal de TV americano VH1 que relembra a trajetória do TLC. De acordo com o Mixme, portal de música na internet, o filme liderou a audiência do canal em 21 de outubro quando foi transmitido. A publicação comenta que o filme contou com um total de 4.9 milhões de telespectadores e foi o programa de TV mais comentado do dia no Twitter, gerando cerca de 2 milhões de comentários na rede social.


Ainda em 2013, o TLC ensaiou uma volta aos palcos, o assunto foi publicado em diversos portais, mas até então não se encontram notícias sobre shows ou um novo álbum que o grupo tenha lançado. Então pra matar a saudade do som das garotas enquanto elas não voltam, o Noventa Por Hora relembra dois sons do TLC e traz também o trailer do filme em homenagem as garotas nos vídeos abaixo. Divirta-se!

 

terça-feira, 14 de outubro de 2014

O tempo em que a Black Music não chegava ao Brasil

Por André Marques


Se fizermos um apanhado dos grandes nomes internacionais que fazem grande sucesso no Brasil nos dias de hoje, certamente vamos encontrar muitos nomes ligados ao hip hop e à Black Music oriunda dos EUA. Os nomes vem à cabeça facilmente: Beyoncé, Rihanna, Bruno Mars, Pharrel, e por ai vai. Mas até meados dos anos 90 não era bem assim, e com isso muita coisa boa do estilo não apareceu pelo Brasil.

Talvez o momento em que o hip hop ganhou visibilidade por aqui tenha sido o clássico “Sobrevivendo no Inferno” dos Racionais MC’s, que abalou as estruturas da música brasileira no ano de 1998, tendo ganhado os principais prêmios no VMB, a extinta e até então prestigiada festa de premiação da MTV Brasil. A partir daquele momento, o hip hop ganhou visibilidade e fama.

Mas antes, eram raros os casos em que grandes do hip hop mundial conseguiam destaques nas paradas de sucesso brasileiras. Algumas exceções como o C&C Music Factory, que mesclava o rap e o eletrônico, ou Whitney Houston que arrasou em nosso país com a balada “I Will Always Love You”, mas foram exceções. Até 98, o hip hop e a Black Music não faziam parte do gosto do brasileiro.


O Noventa por Hora listou grandes momentos da Black Music até 98 e que não vingaram por aqui. Infelizmente!

















quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O grupo Fat Family e seu jeitinho sexy nos anos 90

Por Ana Paula Barbosa


Formada pelos irmãos Sidney, Celinho, Celinha, Simone, Suzetti, Kátia, Deise Cipriano e mais tarde contando também com Suely, o grupo Fat Family ganhou reconhecimento no cenário musical do Brasil em meados de 98, ano em que gravaram seu primeiro álbum com o nome do grupo.

O jeito irreverente, simpatia e o estilo musical dos irmãos com o estilo semelhante ao de corais de igrejas batistas americanas, propunha uma novidade por aqui. Deise, a irmã mais nova, soprano de destaque no grupo, trazia uma voz rasgada em performances carregadas de falsetes e firulas impecáveis. “Jeito Sexy” foi o primeiro sucesso do grupo. A canção, uma das treze do primeiro álbum, traz um videoclipe com os irmãos cantando em coral com alguns solos de Deise e a famosa coreografia em que eles mexem o pescoço da esquerda pra direita num jeito bem difícil de acompanhar.


O álbum de 99, “Fat Festa” trouxe o sucesso  “Eu não vou”. Com onze canções o título inclui uma versão de “Oh, Happy Day”, o álbum teve a premiação de disco de ouro e contou com mais de cem mil cópias vendidas. “Fat Festa” fechou os anos 90 de Fat Family, mais adiante o grupo gravou “Série Para Sempre: Fat Family” de 2001, álbum que trouxe a canção “Fim da Tarde”, além de um segundo álbum no mesmo ano, o “Pra Onde For, Me Leve”.

Em 2003 os integrantes se tornaram evangélicos, e neste ano lançaram um segundo álbum que levava novamente o nome do grupo. Antes, em 2002 lançaram o álbum “Série Identidade: Fat Family” e em 2004 o último álbum com músicas seculares, o “Série Retratos: Fat Family”, com algumas regravações de canções de álbuns anteriores.

Na nova fase em que migraram para canções evangélicas, alguns integrantes do grupo se separaram partindo para a carreira solo e três dos irmãos, Celinho, Suzetti e Kátia se submeteram a cirurgia de redução de estômago. Em 2011 Sidney, um dos irmãos mais velhos do grupo faleceu por parada cardíaca, vítima de acidente vascular cerebral. Atualmente a banda com menos integrantes tem um contrato com uma gravadora evangélica firmado dois anos atrás, quando gravaram um videoclipe com Mara Maravilha.



Relembre a música "Jeito Sexy" do grupo com a divertida coreografia do pescoço ;)




segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os melhores do mês de outubro de 1990 a 1999

Por André Marques

A partir de hoje, o blog do Noventa por Hora trará no início de cada mês um apanhado dos grandes hits que chegaram ao primeiro lugar da parada da Billboard, uma das mais importantes referências da música mundial. Confira os grandes campeões no mês de outubro de 1990 a 1999.

1990 - Maxi Priest - "Close To You"
O reggae nunca foi um estilo musical muito difundido nos EUA, e isso explica o fato do som da Jamaica ter ganhado um toque romântico no início dos Anos 90. Por isso mesmo, o inglês Maxi Priest conseguiu chegar ao topo das paradas em 1990 com o seu "Close To You", que fazia parte de seu quarto disco de estúdio chamado "Bonafide"


1991- Mariah Carey - "Emotions"
91 foi um dos anos mais importantes da carreira dessa cantora norte-americana. Ao lançar o seu segundo disco, Mariah Carey mostrou ao público em todo mundo o poder de sua voz incrível, que não encontrava limites para chegar aos tons mais difíceis. "Emotions" talvez seja uma das canções mais brilhantes de Mariah.



1992 - Boys II Men - "End Of The Road"
Não foi só outubro. A balada "End Of The Road" ficou no topo da billboard de agosto à novembro de 92. Quatro meses ininterruptos que consagraram a carreira de um dos últimos grupos vocais norte-americanos lançados pela Motown Records. A música fazia parte da trilha sonora do filme "O Príncipe das Mulheres", estrelado por Eddie Murphy.


1993 - UB40 - "Can't Help Falling In Love"
Mais um exemplo de que o regaae adicionado ao romantismo fazia enorme sucesso junto ao público norte-americano naquela época. Ainda mais com o apelo de uma trilha sonora de um Blockbuster. Foi assim que os ingleses do UB40 incendiaram as paradas com a regravação de "Can't Help Falling In Love", de Elvis Presley. Essa versão fazia parte da trilha sonora do clássico "Invasão de Privacidade", estrelado por Sharon Stone.





1994 - Soundgarden - "Black Hole Sun"
O grunge vivia a sua fase derradeira. Com a morte Kurt Cobain, em abril de 94, o Soundgarden representou o último suspiro do movimento mais importante do rock naquela época, com o lançamento do excelente álbum "Superunknown". E desse disco, a balada "Black Hole Sun", que além de ter dado a devida popularidade à banda, colocou o rock no topo das paradas.



1995 - Coolio - "Gangsta´s Paradise"
Mais uma canção retirada de uma importante trilha sonora da época. E quem se aproveitou disso foi o rapper Coolio, que hoje anda um tanto quanto sumido, mas nos anos 90 foi um dos artistas que mais vendeu discos dentro da indústria do hip-hop. "Gangsta's Paradise" fazia parte da trilha de "Mentes Perigosas", estrelados pela eternamente bela Michelle Pfeifer. Além de tudo isso, essa canção rendeu um Grammy ao rapper.


1996 - Los Del Rio - "Macarena"
Não há muito o que falar dos espanhóis do grupo Los Del Rio. A verdade é que o ritmo denominado "Macarena" foi dançado por qualquer cidadão vivo e saudável nos anos 90. Esse hit ficou em primeiro lugar na Billboard por quatro meses.



1997 - Green Day - "Good Riddance (Time Of Your Life)"
Nimroad foi o quinto disco lançado pelos californianos do Green Day naquele mês de outubro de 1997. E sem mais delongas, a banda chegou ao topo das paradas com a balada "Good Riddance (Time Of Your Life)", que de uma certa forma pode ser considerada a primeira grande balada da carreira da banda.



1998 - Aerosmith - "I Don't Wanna Miss A Thing"
Apesar de ser uma banda oriúnda dos anos 70, inegavelmente os anos de ouro da Aerosmith foram os Anos 90. Muito em função de suas baladas românticas que invadiram as rádios de todo mundo. Em mais uma de suas canções nesse estilo, a banda conquistou o topo e ainda ajudou a lançar Liv Tyler (filha do vocalista Steven Tyler) como atriz, já que "I Don't Wanna Miss A Thing" fazia parte da trilha sonora de Armegedon, filme estrelado por ela e o astro Bruce Willis.



1999 - TLC - "Unpretty"
Pra fechar essa saga do mês de outubro nos Anos 90, vamos de TLC, importante grupo vocal norte-americano que trazia três garotas talentosas e muito carismáticas. Após passar toda a década de 90, emplacando hits atrás de hits, fecharam aquele período com mais um sucesso. "Unpretty" alcançou facilmente o topo das paradas em outubro de 99.




sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Pagode 90, o sucesso de grupos que retomam espaço no cenário atual

Por Ana Paula Barbosa

Um dos pontos mais altos dos anos 90, o apogeu do período, era a diversidade musical, e por falar em apogeu, essa é uma das palavras que fez parte do repertório do grupo Art Popular com a música “Temporal”. E é sobre grupos de pagode que falamos hoje aqui no blog do Noventa Por Hora.

No significado literal a palavra apogeu quer dizer “o mais alto grau”, o “ponto culminante”, uma palavra pouco usada no nosso vocabulário informal diário, mas nada que em noventa não pudesse ser incorporado a uma bela canção de um grupo de pagode.

O grupo Art Popular lançou seu primeiro disco com produção independente em 1993 tendo Leandro Leart a frente dos vocais. Os demais integrantes eram Márcio Art, também no vocal, Tcharlinho no pandeiro, Evandro no repique, Malli na percussão e Denilson Pimpolho, no tantã, integrante que mais tarde foi homenageado com a música “Pimpolho” som que até hoje é sucesso de coreografia nas festinhas dos que pegaram essa fase de 90.

Os grupos de pagode da época eram caracterizados por ter um vocal principal e quase todos os demais integrantes como back vocals. Além de cantar os garotos também dançavam juntos em coreografias ensaiadas que enlouqueciam a mulherada que enchia os palcos dos programas de auditório que adoravam receber os grupos ou curtiam de casa mesmo rebolando o esqueleto em frente a TV.

Mas o Art Popular não foi unanimidade, além dos garotos de “Valeu Demais”, sucesso do segundo disco, o “Nova Era" gravado em 95 pela EMI, outros grupos também bombaram em 90, caso de Katinguelê que tinha Salgadinho no vocal e estourou com sucessos como “Inaraí” chegando a vender quase um milhão de cópias em um de seus álbuns. 

O Exaltasamba grupo que surgiu no final de 80, mas teve sua ascensão em 90 ao som de canções como "Telegrama", "É Você" e "Gamei", contando com a rouquidão e os cabelos louros de Chrigor Lisboa no vocal até 2002, e o vozerão de Péricles a frente do grupo até o final do ano passado quando o Exalta se separou. 


Numa versão mais descontraída e menos romântica que os demais grupos, os anos 90 também contava com Molejo, grupo com uma pegada irreverente como a de Anderson, o vocalista de sorriso largo que vestia macacão jeans e fazia graça ao som de clássicos como "Dança da Vassoura" e "Brincadeira de Criança". Anderson também está a frente do grupo desde o inicio da formação, o “Molejão” está na ativa até hoje.


O sucesso dos grupos de pagode de 90 foi tão significativo que recentemente Alexandre Pires de Só Pra Contrariar, mais um dos mais suscetíveis grupos de pagode da época decidiu reunir a antiga formação do SPC e sair em turnê relembrando os sucessos que fizeram. O convite se estendeu ao grupo Raça Negra, mais um sucesso dos período que saiu junto com o SPC na retomada pós 90.



A ideia de relembrar o pagode da década foi tão suscetível que Salgadinho, ex-Katinguelê, Chrigor, do comecinho de Exaltasamba, e Márcio Art, do Art Popular resolveram se juntar também em turnê com o “Amigos do Pagode 90”, grupo em que os garotos também se juntam para rememorar os sucessos das músicas da época.


Ouça os sucessos da época:


Art Popular



Katinguelê

Molejo



terça-feira, 30 de setembro de 2014

Claudinho e Buchecha e o sucesso do funk sem malícia dos anos 90


Por Ana Paula Barbosa


Se hoje o estilo do "funk" é trazer letras sobre ostentação, vaidade e sexo, o ritmo lá nos anos noventa seria hoje considerado o que chamamos de “brega” no cenário musical. Com sons que falavam de amor, gratidão e igualdade, nos anos 90 funks como “Rap da Felicidade” de Cidão e Doca famoso pelo refrão “Eu só quero é ser feliz...” ganhavam cada vez mais espaço nacional e davam voz junto com o rap a garotos das periferias.  A exemplo disso está a dupla carioca Claudinho e Buchecha.

Em 95, os amigos de infância Claudio Rodrigues de Mattos (Claudinho), e Claucirlei Jovêncio de Sousa (Buchecha) ganharam pela segunda vez um concurso de rap no bairro de São Gonçalo no Rio de Janeiro, três anos antes a dupla havia se lançado no festival com o "Rap da Bandeira Branca” mas só em 95 com o "Rap do Salgueiro" que a dupla virou febre no Rio conseguindo gravar já em 96 seu primeiro disco intitulado com o nome deles produzido pela Universal Music. O álbum contou com 13 faixas, dentre elas “Tempos Modernos” de Lulu Santos, as demais foram todas de autoria da dupla, a mais suscetível “Conquista” virou hit rendendo sucesso nas rádios e visitas dos cariocas aos programas de TV.

Em 97 a dupla lançou “A Forma”, álbum com 14 faixas também da Universal, foi aqui que Claudinho e Buchecha trouxeram “Quero Te Encontrar”, uma das mais famosas músicas da dupla. A pegada romântica ainda se mantinha e os garotos aproveitavam o carisma para inovar com coreografias e brincadeiras no palco. Foi neste ano que ganharam a estatueta de artista revelação na premiação Video Music Brasil da MTV.

A música “Só Love”, fez parte do álbum de 98 que leva o mesmo título, aqui os garotos trouxeram também a música “Xereta”, mais ritmada e coreografada que as love songs, que produziam de costume. O álbum “Só Love” teve mais de 500 mil cópias vendidas.

Em 99 Claudinho e Buchecha lançaram seu primeiro álbum ao vivo, novamente intitulado com o nome da dupla. O disco trouxe a regravação dos grandes sucessos deles.  Já em 200 a dupla lançou “Destino” e depois “Vamos Dançar”, álbum de 2002, ano em que a caminho da turnê de divulgação do disco Claudinho sofreu um acidente de carro e faleceu com quase dez anos de sucesso de Claudinho e Buchecha, a mais famosa dupla de funk dos anos 90.


Relembre o primeiro grande sucesso do Claudinho e Buchecha


sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Planet Hemp, queimando até a última ponta desde 93

Por Ana Paula Barbosa


De “Usuário” (1995) até “A Invasão do Sagaz Homem Fumaça” (2000), dois de três dos álbuns de Planet Hemp, muita coisa rolou na história da banda de Marcelo D2.

A banda surgiu a partir de um encontro entre D2 e o artesão Skunk no bairro do Catete no Rio de Janeiro em 93. A ideia era criar um grupo de Rock, mas a falta de habilidade instrumental dos dois membros os fez migrar para o rap, algo que mais tarde se transformou com a chegada de Rafael Crespo, Bacalhau e Formiga, que trouxeram guitarra, bateria e baixo ao grupo, possibilitando a junção de uma mistura de ritmos denominada por eles como "Raprocknrollpsicodeliahardcoreragga". Mais tarde se uniram à banda Maurinho Branco nos Teclados, DJ Zé Gonzales, dominando o Scratches, Black Alien e BNegão no vocal.

Usuário foi o primeiro disco da banda, consagrado pelos
 hits Legalize Ja e Mantenha o Respeito
O “hemp” do nome vem da palavra cânhamo, derivativa de maconha em inglês e foi extraído da revista gringa High Times, especializada na “cannabicultura”. A história do cultivo da maconha associado ao nome do grupo rendeu algumas dores de cabeça por “apologia ao consumo da droga”. Mas o rótulo não inibiu o sucesso da banda, ao contrário, a pegada irreverente e contracultura do grupo tornou a Planet Hemp um sucesso de vendagem nos anos 90. Em “Usuário”, a banda carioca trouxe sons como "Porcos Fardados", numa crítica a violência policial, "Mantenha o Respeito", “Legalize já” - som que teve o videoclipe censurado na época - e "Skunk" totalmente instrumental, numa homenagem ao criador da banda que faleceu vítima de AIDS em 94, um ano após o surgimento do grupo.

Em 97, a banda lançou “Os Cães Ladram mas a Caravana Não Pára”, produzido por Mario Caldato Jr. reverenciado por trabalhos com bandas como Beastie Boys, sucesso do hip hop americano.  O álbum que trouxe "Queimando Tudo", "100% Hardcore" e "Nega do Cabelo Duro" vendeu mais de 500 mil cópias e trouxe além dos ritimos já empregados na banda influências da bossa-nova, jazz e samba.

Durante a turnê do álbum, num concerto em Brasília a banda foi presa sob acusação de apologia às drogas, mas com um “habbeas corpus” logo a prisão foi revogada e no lugar da discriminação a banda conseguiu com o incidente apoio político de ONGs pró uso de drogas leves, de ativistas e ainda mais fãs. Foi nessa época que BNegão saiu da banda, mas ainda com participações em algumas músicas do álbum, fase em que chegaram Black Alien no lugar de BNegão, Zé Gonzales e Apollo.

Em 97 com o sucesso de “Os Cães Ladram mas a Caravana Não Pára”, a banda concorreu com duas indicações ao VMB, consagrada premiação da época da MTV Brasil. Um ano depois, Marcelo D2 deu um tempo com o Planet para gravar “Eu Tiro é Onda” nos Estados Unidos, tendo voltado à banda em 2000 com o álbum "A Invasão do Sagaz Homem Fumaça" que fechou o ciclo do grupo tendo como formação a volta de BNegão ao vocal, Marcelo D2, Zé Gonzales nas picapes, Apollo nos teclados, Rafael Crespo na guitarra e Pedrinho na bateria.

Em 2011, a banda foi convidada a produzir o álbum “MTV ao Vivo: Planet Hemp”, título que foi lançado em CD e DVD pela emissora. A época, a banda se separou, tendo feito um show em 2003 num festival em Portugal e retornado recentemente em 2013 com uma nova turnê aberta no Circo Voador – Rio de Janeiro que rememora os sucessos de carreira do grupo.


Lembre agora do polêmico Legalize Já, clipe de estreia da banda e que rendeu na época uma espécie de selo de garantia da MTV Brasil, apesar da autorização de sua veiculação apenas no horário noturno, após às 22h.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Os dois melhores discos dos anos 90?

Por André Marques

Claro que toda unanimidade é burra, já dizia Nelson Rodrigues. E neste caso, ela nem se faz presente. Mas é certo que "Blood Sugar Sex Magik" dos Red Hot Chilli Peppers, lançado em 1991 e "Mellon Collie And The Infinite Sadness" do Smashing Pumpkins, de 95, são duas das mais fantásticas obras dos Anos 90, e mais do que isso, da história do rock. O Noventa por Hora vai trazer agora uma contextualização do que representou esses lançamentos na época.

O momento mais genial dos Chili Peppers

Nos anos 80, a banda californiana surgiu para o cenário de maneira tímida, porém importante. A fusão de estilos que variavam entre o rock, o funk (o orignal, esqueçam o ritmo é conhecido como funk hoje no Brasil) e o hip hop. Toda essa miscelânia musical, aliada ao carisma dos integrantes, transformaram a banda nos queridinhos dos críticos norte-americanos. Mas havia ainda um certo desconhecimento popular com relação ao trabalho dos Peppers em âmbito mundial. No álbum de 1989, chamado "Mother's Milk", houve um despertar do público, sobretudo devido à regravação de "Higher Ground", de Stevie Wonder. Mas ainda não era suficiente.

O reconhecimento tardio surgiu com o lendário "Blood Sugar Sex Magik", um trabalho épico, que deu à banda o status (merecido) de uma das maiores bandas do planeta. O lançamento de "Give It Away" espantou (no bom sentido da palavra) público e crítica nos quatro cantos do planeta. Era o segundo disco com a participação de John Frusciante na guitarra, e sua participação nesta gravação é marcante. Todo o sucesso deste álbum se deve muito ao produtor Rick Rubin, que isolou a banda em uma mansão  que pertenceu a Rudolph Valentino, em Laurel Canyon. Durante oito semanas, Rick usou uma estratégia diferenciada para a gravação: os músicos tocaram frente a frente, no mesmo quarto, usando a menor tecnologia possível, para garantir uma sonoridade crua. No clipe de "Suck My Kiss", foram usadas imagens da gravação do disco.

O grande sucesso de "Blood Sugar Sex Magik" foi sem dúvida a balada "Under The Bridge", que permaneceu por 12 semanas consecutivas no topo da parada da MTV norte-americana. Esta música foi sucesso não só nos Estados Unidos, como no mundo. Ela foi escrita pelo vocalista Anthony Kiedis, que fala de sua relação com as drogas. A música conta com a participação de Gail Frusciante, uma cantora gospel que havia abandonado a sua carreira para se tornar dona de casa. Este álbum representa o momento mais genial da carreira dos Chilli Peppers. Relembre agora o clássico "Give It Away", talvez o clipe mais marcante da carreira da banda.



Poucos sabem que este é um dos maiores discos da história do rock. Fantástico. Genial. Soberbo. E ainda faltam adjetivos para definir a obra-prima lançada pelo Smashing Pumpkins em 1995. 


A banda liderada pelo gênio Billie Corgan já havia deixado sua marca com os dois bons álbuns de estreia: Gish, de 1991 e Siamese Dream, de 1993. Após o enorme sucesso da balada "Disarm", o mundo se preparou para o lançamento de "Mellon Collie And The Infinite Sadness", o álbm duplo do Smashing Pumpkins. A pré-audições dos principais críticos de revistas especializadas em música aqueceram ainda mais as expectativas, e o lançamento confirmou o que se esperava. O mundo estava diante de um momento épico.

A abertura dos trabalhos coube à poderosa "Bullet With Butterfly Wings", que já mostrava um Smashing Pumpkins mais inovador e desafiador. O próprio Corgan admitiu que todo o sucesso feito pelo grunge nos anos anteriores, sobretudo com o Nirvana, fez com que ele se sentisse pressionado, por ele mesmo, a produzir um álbum grandioso e único. Algo que nasceu com a proposta de entrar para a história. Dito e feito!

Os grandes hits desse álbum foram as melódicas "1979" e "Tonight Tonight", que se transformou em um vídeo clipe impactante dirigido pela dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris, e rendeu a banda seis prêmios no Video Music Awards, de 1996. Fora isso, no mesmo ano a banda concorreu a sete prêmios Grammy. Sem a menor sombra de dúvida, os Smashing Pumpkins foram a banda mais comentada daquele ano, e certamente a mais aplaudida.

Guardadas as devidas proporções, algumas das canções gravadas nesse álbum lembram boa parte do repertório do Queen, pelo flerte com orquestras, utilização de violinos, sempre aliados ao peso de guitarras distorcidas. Essa junção foi certamente o ponto principal do estrondoso sucesso do álbum, até porquê tudo isso foi feito de maneira brilhante, sem parecer apelativo ou exagerado. É como se fosse uma receita para um jantar de gala, em que cada ingrediente é adicionado após um minucioso estudo e muito cuidado.

Infelizmente, "Mellon Collie And The Infinite Sadness" não ocupa hoje o lugar que merece. Em todas as eleições de grandes discos da história do rock, esse álbum nunca aparece. Um grande equívoco. Afinal de contas, ele não fica atrás de grandes obras de bandas mais cultuadas. O próprio destino da banda, após esse disco favoreceu esse parcial esquecimento. Dominado pela vaidade, Billie Corgan se deixou levar pelo sucesso e nunca mais foi o mesmo. Consequentemente, sua banda nunca mais foi a mesma. Agora, vamos lembrar dos tempos áureos, relembrando o premiado clipe de "Tonight Tonight".





sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Skank, a banda mineira que conquistou pelas beiradas um sucesso estrondoso nos anos 90

Por Ana Paula Barbosa

Conterrâneos de Milton Nascimento e Sepultura, a banda Skank, de Belo Horizonte, calçou seus pés no cenário musical em 1991, quando surgiu encabeçada por Samuel Rosa (guitarra e voz) e seus companheiros Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria). A ideia era trazer o clima do dancehall jamaicano às terras tupiniquins, proposta que é viva até hoje.

Mas a pegada jamaicana enraizada em ritmos como reggae e ska não eram os únicos elementos do som dos mineiros. O Skank propunha uma mistura de ritmos que envolvia desde o pop rock ao folk rock, passando pelo rock alternativo e indie. Seu primeiro álbum de produção independente que carregou como título o nome da banda foi lançado em outubro de 92.
Primeiro disco da banda, lançado em 1992.

O disco teve tiragem única de três mil cópias e trouxe músicas como “Tanto (I Want You)” e "Cadê o Pênalti?”. Destaque também para as faixas "indignação" e "O Homem Que Sabia Demais".  Um ano depois já com contrato com a Sony Music a banda remixou o disco vendendo 250 mil cópias.

Disco de 1994 famoso por trazer músicas como
"Pacato Cidadão" e "Jackie Tequila"
Em 94, a banda lançou o disco Calango, nome dado a uma dança típica do norte de Minas. Segundo o site da banda este é “o álbum em que o Skank mais se mostrou influenciado pelo dancehall jamaicano”. É em Calango que a música “É Proibido Fumar”, de Roberto e Erasmo foi regravada com uma nova roupagem, tendo se tornado um dos mais populares sons da época. Além da música do Rei, o álbum também contou com as consagradas “Jackie Tequila”, “Esmola”, “Te ver” e “Pacato Cidadão”.
O projeto gráfico do disco desenvolvido por Jarbas Agnelli, traz à capa do vinil a fantasia de um personagem criado pelo artista lson Lorca em comemoração à Copa do Mundo daquele ano. Quem veste a peça no disco é o  baixista da banda Lelo Zaneti. 

Dois anos mais tarde, os mineiros lançaram o álbum responsável pela maior vendagem de discos da banda: um milhão e oitocentas mil cópias. Este foi o “O Samba Poconé” que trouxe “É uma Partida de Futebol” como uma das faixas e foi o primeiro disco da banda a ser lançado no exterior.
"O Samba Poconé", 1996, teve 1.800.000 cópias vendidas


Fechando o ciclo de 90, Skank lançou Siderado, álbum mixado nos estúdios de Abbey Road, Londres, por onde passaram os Beatles. Siderado vendeu 750 mil cópias e foi lançado em 98 com participação de artistas como Nando Reis e Chico Amaral tendo como principais sons “Resposta” e “Saideira”.


Confira agora "É Proibido Fumar", que segundo o diretor do Noventa por Hora André Marques, trata-se de uma das melhores covers da história da música brasileira. "Esse é um dos poucos exemplos em que a cover ficou melhor que a original", diz André.